Renda Fixa · Atualizado em 19 de maio de 2026

CDB ou Tesouro Direto: qual escolher e quando

Comparação entre CDB e Tesouro Direto — risco de crédito, liquidez, rentabilidade e tributação. Para o investidor que quer entender o próximo passo depois da poupança.

5 min de leitura

O que é um CDB

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Quando você compra um CDB, está emprestando dinheiro a um banco em troca de uma remuneração definida no momento da contratação. O banco usa esse recurso pra emprestar a outros clientes; a diferença entre o que cobra e o que paga é o lucro dele.

Características principais:

  • Emissor: banco (Safra, Itaú, BTG, bancos médios, etc.)
  • Risco de crédito: banco emissor, com cobertura do FGC até R$ 250 mil por CPF e por instituição, e teto agregado de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Acima do teto, exposição direta ao banco.
  • Tributação: tabela regressiva de IR — 22,5% (até 180 dias), 20% (181–360), 17,5% (361–720), 15% (acima de 720 dias)
  • Modalidades: prefixado (taxa fixa), pós-fixado (atrelado ao CDI, geralmente como % do CDI ou CDI + spread) ou IPCA+ (inflação + taxa fixa)

O que é o Tesouro Direto

Tesouro Direto é o programa do Tesouro Nacional que permite a pessoas físicas comprarem títulos públicos federais. Comprar um título do Tesouro significa emprestar dinheiro ao governo brasileiro em troca de remuneração definida.

Características principais:

  • Emissor: Tesouro Nacional (governo federal)
  • Risco de crédito: soberano. Não há garantia formal tipo FGC; a segurança vem do próprio emissor, considerado o ativo de menor risco de crédito do país.
  • Tributação: mesma tabela regressiva do CDB
  • Modalidades: Tesouro Selic (pós-fixado pela Selic), Tesouro Prefixado, Tesouro IPCA+ (IPCA + taxa fixa)

Comparação direta

Dimensão CDB Tesouro Direto
Risco de crédito Banco emissor (FGC cobre até R$ 250 mil/CPF por instituição) Soberano (sem garantia formal; emissor é o governo)
Liquidez Depende do título (alguns só no vencimento, outros com liquidez diária) Diária — venda antecipada ao preço de mercado
Rentabilidade típica Geralmente paga mais que Tesouro de prazo equivalente, porque o risco percebido é maior Referência de mercado; geralmente menor que CDB equivalente
Imposto de Renda Tabela regressiva (22,5% → 15%) Tabela regressiva (22,5% → 15%)
Investimento mínimo Varia por banco e produto Cerca de 1% do valor do título; títulos custam R$ 30–R$ 4.000
Custos Geralmente sem taxa de custódia Taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano (isento até R$ 10 mil no Tesouro Selic)

Os números reais variam dia a dia — o que importa é entender as dimensões pra avaliar cada oferta concreta com critério.

Quando faz mais sentido um CDB

CDB tende a ser a escolha quando você quer um pouco mais de rentabilidade na renda fixa pós-fixada e está disposto a aceitar o risco do banco emissor dentro do teto do FGC. Bancos médios costumam pagar acima de 110% do CDI em CDBs de 2 a 5 anos. Esse spread paga pela percepção de risco; o FGC cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição.

Também faz sentido quando o recurso tem finalidade e prazo definidos. Sabe que vai trocar de imóvel em 3 anos? Um CDB prefixado de 3 anos trava a taxa hoje e tira a volatilidade do caminho.

E quando o banco emissor já é o seu banco de relacionamento. Instituições private costumam oferecer CDBs exclusivos com taxas melhores pra clientes do segmento.

Em que caso evitar: se o emissor não te dá conforto (banco pequeno, sem relacionamento) e o spread sobre o Tesouro for pequeno, o risco adicional não vale a pena, mesmo com FGC.

Quando faz mais sentido o Tesouro Direto

Três situações típicas. Liquidez é a primeira. O Tesouro Selic resgata em D+1 ao preço de compra acrescido da Selic acumulada, então funciona bem como reserva de oportunidade ou de emergência.

Proteção contra inflação no longo prazo é a segunda. Tesouro IPCA+ é o instrumento mais limpo pra preservar poder de compra em horizontes de 10 a 30 anos: aposentadoria, fundo de educação dos filhos, patrimônio de longo prazo.

A terceira é o valor acima do teto do FGC. A partir de R$ 250 mil em uma instituição, o risco soberano do Tesouro fica mais atraente do que o risco bancário fora da cobertura, e você evita ter que espalhar entre vários emissores só pra ficar dentro do teto.

Em que caso evitar: se o objetivo é maximizar carrego pós-fixado em prazo curto e há CDB de banco grande pagando 105% a 110% do CDI, o CDB normalmente leva.

Erros comuns na hora de escolher

Comparar taxa nominal sem prazo. "CDB pagando 12%" e "Tesouro Prefixado a 12%" são produtos diferentes se um vence em 2 anos e o outro em 7. Sempre compare taxa para o mesmo horizonte.

Ignorar o IR no comparativo. A tabela regressiva é a mesma, mas a rentabilidade líquida em prazos curtos sofre mais. Um CDB pós-fixado resgatado em 4 meses paga 22,5% de IR sobre o rendimento. Isso muda bastante a conta.

Confundir FGC com ausência de risco. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF/instituição e leva tempo pra pagar em caso de problema. Pra valores acima do teto, a exposição ao banco é real. Não há almoço grátis.

Olhar só rentabilidade e esquecer liquidez. Um CDB de banco médio com taxa boa mas sem liquidez antes do vencimento é incompatível com reserva de emergência. Não importa quanto rende se você não conseguir resgatar.

Como pensar a composição da carteira

A pergunta que organiza quase tudo é simples: para que esse dinheiro existe, e em que prazo? A resposta costuma indicar o tipo de produto mais coerente com cada objetivo.

Em termos gerais, é assim que essas duas classes costumam aparecer combinadas:

  • Reserva de emergência: instrumentos com liquidez diária e baixa volatilidade, como Tesouro Selic ou CDB de banco grande com liquidez D+0/D+1.
  • Objetivos de 1 a 3 anos: CDBs pós-fixados de bancos médios com spread sobre o CDI, dentro do teto do FGC, costumam aparecer com frequência nessa faixa.
  • Objetivos de 3 a 10 anos: Tesouro IPCA+ e CDB IPCA+ entram pela proteção real; CDB prefixado pode ser combinado quando se quer travar uma taxa nominal.
  • Acima de 10 anos: Tesouro IPCA+ com vencimento alinhado ao objetivo tende a ser referência, porque elimina a marcação a mercado no resgate.

Renda fixa é só parte da carteira. Fundos, debêntures incentivadas, multimercados e outras classes podem entrar na composição, mas a alocação ideal depende de perfil de investidor (suitability), horizonte e objetivos específicos — e por isso essa conversa é caso a caso, com um assessor de investimento.


  1. Estoque do Tesouro Direto e taxas vigentes podem ser consultados em tesourodireto.com.br/titulos/precos-e-taxas 

  2. Tabela regressiva de IR conforme Lei 11.033/2004, art. 1º 

  3. Cobertura do FGC: fgc.org.br/garantia-fgc/garantia-ordinaria 

Perguntas frequentes

CDB tem garantia do FGC?

Sim. CDBs são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com teto agregado de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Valores acima disso ficam expostos diretamente ao risco do banco emissor.

Posso resgatar Tesouro Direto antes do vencimento?

Sim, todos os títulos do Tesouro Direto têm liquidez diária. O Tesouro recompra ao preço de mercado do dia. O Tesouro Selic é resgatado pelo valor próximo do investido; o Prefixado e o IPCA+ podem render mais ou menos do que a taxa contratada, dependendo da curva de juros no dia do resgate.

Qual a alíquota de imposto na renda fixa?

A tabela regressiva é igual para CDB e Tesouro Direto: 22,5% (até 180 dias), 20% (181–360), 17,5% (361–720) e 15% (acima de 720 dias). O imposto incide só sobre o rendimento, não sobre o valor investido.

CDB de banco pequeno é seguro?

Dentro do teto do FGC (R$ 250 mil por CPF/instituição), a garantia é o mesmo Fundo Garantidor que cobre os bancos grandes. Acima do teto, sim, há risco maior. A decisão depende de quanto do seu patrimônio você quer concentrar em uma única instituição.

Faz sentido combinar os dois numa mesma carteira?

Em carteiras com objetivos múltiplos, é comum aparecerem os dois. Tesouro Selic costuma cobrir liquidez de curto prazo; CDB pós-fixado ou prefixado de prazo médio adiciona carrego dentro do teto do FGC; Tesouro IPCA+ tende a entrar em horizontes longos pela proteção contra a inflação. A composição ideal depende do perfil de investidor e dos objetivos, e por isso varia entre clientes.

Quando faz sentido conversar com um assessor

Cada carteira tem objetivos, prazos e perfil próprios.
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Sobre o autor

Rafael Moura

CFP®Ancord

Sócio da Arka Investimentos. Assessor de investimentos credenciado, com certificação CFP® (Certified Financial Planner) e Ancord.

Comunicação institucional. Não constitui recomendação de investimento. Consulte seu assessor.